AMATRES: obra viária não foi discutida com a comunidade

O presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador Valter Nagelstein (PMDB), recebeu, nno dia 31 de janeiro, moradores do Bairro Três Figueiras para, juntamente com o representante da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Rodrigo Duarte, tratar de alterações no trânsito local, mais precisamente nas proximidades da Avenida Nilo Peçanha. De acordo com o presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Três Figueiras (Amatrês), Fernando Dalmolin Ferraz, as mudanças fazem parte de uma contrapartida de um empreendimento do grupo Isdra e não foram discutidas com a comunidade.
Na visão da entidade, se implantada, a alteração irá piorar o fluxo viário interno e a qualidade de vida de moradores e empresários já estabelecidos no bairro. “É uma intervenção que beneficia apenas o empreendedor que financia a contrapartida”, justificou o presidente da Amatrês. Ferraz, acompanhado da ex-presidente da Amatrês Cristina Buttelli e da sócia fundadora da entidade – que já existe há 40 anos – Ada Maria Fonseca, apresentou, em um mapa, as consequências negativas que as alterações deverão ocasionar à população. A diminuição dos acessos ao bairro, o aumento de velocidade e da insegurança, são os principais motivos da resistência da comunidade.
A obra é resultado da contrapartida de um projeto antigo do grupo Isdra, que previa a construção de um shopping com 220 lojas, um supermercado e um hotel de aproximadamente 15 andares. As modificações consistem na transferência da sinaleira hoje na esquina da Nilo Peçanha com a José Antônio Aranha, passando-a para o cruzamento da Osório Tuiuti de Oliveira Freitas. Também está prevista a inversão do fluxo, em sentido único, e o asfaltamento da Rua Desembargador Esperidião de Lima Medeiros, o que, na visão dos moradores, ampliará os riscos de acidentes.
“Esse empreendimento projetado inicialmente pelo grupo Isdra não aconteceu, e o que está sendo feito no local é algo bem menor, uma galeria, que tem como âncora uma loja de equipamentos esportivos. Isso não justifica mais esse grau de intervenção no fluxo viário interno, que hoje funciona bem. Para resolver o problema da Nilo tem que abrir a Anita Garibaldi a partir da João Wallig”, explicou o presidente da Amatrês.

EPTC

Questionado por Nagelstein sobre a situação, Rodrigo Duarte destacou que a EPTC realizou todos os estudos e pesquisas de fluxo viário para a implantação da obra de contrapartida. Disse, também que a comunidade foi ouvida na comissão que avaliou as mudanças impostas pelo Executivo ao grupo Isdra, mas reconhece que isso ocorreu há mais de dez anos e que existe a possibilidade de as condições locais terem se alterado. “A proposta da EPTC é para que obra seja finalizada e opere em caráter experimental por 120 dias”, disse. Contrários, os moradores insistem na interrupção imediata.
A pedido do presidente do Legislativo, Duarte se comprometeu a levar a solicitação de uma nova audiência, desta vez, com o presidente da EPTC, Marcelo Soletti. “A comunidade precisa ser ouvida. As questões técnicas não estão acima do que os moradores e empresários locais vivenciam, e há a necessidade de haver um equilíbrio para que se possa alcançar um consenso”, disse Nagelstein.
O vereador ainda citou o exemplo de mudanças ocorridas nas proximidades da Praça Júlio de Castilhos, no Bairro Moinhos de Vento. “Na época, sugerimos ao então presidente da EPTC, Vanderlei Capellari, que fosse adotada lá, no entorno, a mão inglesa. A resistência foi grande por parte dos técnicos, mas bancada pelo vice-prefeito da época. O resultado é um sucesso; prova de que nem sempre os técnicos têm razão”, afirmou Nagelstein.